Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.
Domingo, Março 28, 2004
Olá, amigos!
Ultimamente estou em greve mental! Tentei escrever um texto ontem, idéias vinham em minha cabeça. Eram até interessantes, mas nem me lembro mais, agora. Então, até não sei quando, não teremos textos novos aqui.
O que posso dizer ou fazer? Tornar esse blog um mero diário, com todos os passos desta semana que passou? Talvez! Pode ser interessante!
Bem... Dia 23 eu fui até a
Fundação Casa de Jorge Amado (com mamãe!) me inscrever no
PRÊMIO BRASKEM DE CULTURA E ARTE, na categoria Literatura (Claro!). Entreguei uma coletânea com todos os textos escritos no antigo "Solares de Ilusão" e aqui! O título, nem um pouco criativo, é:
RUÍNAS ALADAS - Poesia Crônica em Prosa.
Se vocês perceberem há um duplo significado no subtítulo, mais precisamente no termo "crônica", que representa tanto a idéia de tempo, algo que segue por toda a vida. E para alguns é alado, vôa, não pára... Ou, às vezes, é lento, amigo da solidão e da loucura. Somada à loucura, o segundo significado que expressao doença, "doença crônica", que destroi o corpo, a alma, transformando-os em ruínas, ruínas do homem, ruínas do tempo, ruínas aladas! Entre a compulsão vertical da poesia, asfixiada e asmática em versos impossiveis, mas em linhas arrastadas de pseudoprosa. Assim não posso classificar o que escrevo, mas é algo que se derrama.
Espero que a banca avaliadora olhe minhas loucuras com bons olhos! hehehehehehe
Ah, no dia 25 inscrevi o próprio "Ruínas Aladas - Poesia Cronica em Prosa" no
SELO EDITORIAL LETRAS DA BAHIA, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Foi muito interessante a experiência, pois fui sozinho (peguei um Barroquinha e desci antes do Corpo de Bombeiros, subindo a Ladeira da Praça [Uffa!], chegando à Praça Municipal, e me batendo sem saber qual era o Palácio Rio Branco [dãããããã, era o único "prédio grandão e bonito com cara de palácio!!!!!!!!!!], até que quando, ao encontrar, oporteiro disse que eu não podia entrar de bermuda, e me entregou uma calça [de tamanho duvidoso!!!!!!], que entrou, no meio da portaria, após algum esforço) e encontrei uma senhora, de seus sessenta e poucos anos, que me inscreveu no concurso e disse, no fim:"você tem uma cara boa!" }(:-|) Não entendi!!!!!!! heheheheheheh
Depois disso tudo, consegui comprar
MOLLOY, de
Samuel Beckett, lá no Beringela. Finalmente!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas preciso voltar para comprar
MALONE MORRE, que deixei lá por falta de dinheiro. }(;-\)
(Gostaram das minhas caras?! heheheheheh)
Um grande abraço a todos (se é que alguém ainda visita esse blog!)
L. F. Calaça
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:09 PM Comments:
Sábado, Março 20, 2004
GUSTAV MAHLER (1860-1911)
De origem judaica, Mahler nasceu na Boêmia em 1860. Seu pai, um comerciante humilde, era dono de destilarias de bebidas e de uma taverna em Iglau. Mahler cresceu num povoado convivendo com diversas manifestações da cultura popular que o marcaram muito, em especial a tradição musical militar e as canções folclóricas.
Começou os estudos de piano de forma irregular e apresentou-se em concerto, pela primeira vez, em 1870, aos dez anos de idade. Um amigo da família persuadiu seu pai a enviá-lo para o Conservatório de Viena. Em 1875, após a entrevista com o diretor, foi imediatamente admitido.
Aos 25 anos regeu a Ópera de Praga, iniciando uma promissora carreira como maestro: Ópera Real de Budapeste (1888), Ópera de Hamburgo (1891) e diretor da Ópera da Corte de Viena (1897-1907). Foi convidado, em 1907, para ser o maestro titular da [Metropolitan Opera de Nova York.]
Sua obra divide-se principalmente em canções e sinfonias. Dando grande destaque ao folclore alemão e austríaco, sua orquestração é vibrante, tentando descrever a força e a grandeza da Natureza. Suas melodias apresentam traços de temas populares. Nesta vertente, destacam-se a Sinfonia n.º 1 em ré maior (Titã 1888), a Sinfonia n.º 2 Ressurreição, assim como as canções que incluem coleções de poesias em estilo folclórico.
As suas últimas composições refletem uma preocupação com a morte, expressa de forma complexa, tanto harmônica como tonal. A música de Mahler transita entre o romântico e o moderno, e sua escrita inovadora exerceu grande influência sobre a geração seguinte, de Schönberg, Webern e Berg.
Principais obras:
- Das Klagende Lied
- Titã
- Ressurreição
- Oitava Sinfonia ou Sinfonia dos Mil
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:53 PM Comments:
"O espelho! Verdugo de meus dias, de minhas noites. Imagem tão traumatizante como os próprios traumatismos. Todo o tempo essa impressão de ser apontada com o dedo. 'Frida, olha-te. Frida,contempla-te'.Já não há sombra de verdade onde esconder-se, nem cova onde retirar-se, entregue à dor, para chorar em silêncio sem marcas na pele. Compreendi que cada lágrima traça um sulco no rosto, por jovem e firme que seja. Cada lágrima é uma fragmentação da vida.
Observava meu rosto, meu mínimo gesto, as dobras das colchas, seu relevo, a perspectiva dos objetos dispersos ao meu redor. Durante horas me sentia observada. Me via. Frida dentro, Frida fora, Frida em todas as partes, Frida ao infinito."
Frida Kahlo
in KAHLO apud JAMIS, 1997, p.113
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:23 AM Comments:
Sábado, Março 13, 2004
LAMENTO BORINCANO
Letra:
Rafael Hernández
Interprete:
Caetano Veloso
Álbum:
Fina Estampa (Ao Vivo)
Sale loco de contento,
con su cargamento para la ciudad,
ay para la cuidad.
Lleva en su pensamiento
todo un mundo lleno de felicidad
ay, de felicidad.
Piensa remediar la situación
del hogar que es toda su ilusión, si
Y alegre, el jibarito va cantando asi,
diciendo asi, bailando asi
por el camino:
"Si yo vendo la carga, mi dios querido
un traje a mi viejita voy a comprar"
Y alegre tambien su yegua va
al presentir que aquel cantar
es todo un himno de alegría.
Y en esto le sorprende la luz del día
y llegan al mercado de la ciudad.
Pasa la manana entera sin que nadie
quiera su carga comprar
ay, su carga comprar.
Todo, todo esta desierto,
el pueblo esta lleno de necesidad
ay, de necesidad.
Se oye ese lamento por doquier
en mi desdichada Borinquen.
Y triste, el jibarito va llorando asi,
penando asi, siguiendo asi por el camino:
"Que sera de Borinquen mi dios querido
que sera de mis hijos y de mi hogar."
Borinquen, la tierra del Edén,
la que al cantar, el gran Gothie
llamo la perla de los mares.
Y ahora que tu te mueres con tus pesares
dejame que te cante yo tambien.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:37 PM Comments:
Quarta-feira, Março 10, 2004
O BANQUETE DO LEPROSO
Abro esta janela. Uma mascara de cera, pendurada no pescoço, como talismã. Minha imagem e suas caras brancas e pálidas, flutuando. A Lua, quase cheia e quase olhar. Os globos sobre a mesa de jantar. Velas acesas e silêncio. Como uma despedida aos que vagueiam pelos dias no anonimato. Tantas caras amarelas. Saltos altos e pés descalços. Nas paredes, um grosso caldo de sede e secreções glandulares. Assim, tornados opacos os espelhos obtusos. Uma caligrafia comedida sobre páginas pálidas. O teto foi furtado pelos gatos que se reproduzem aos gritos de dor. Ao menos eles. Não me preocupo com o relento, pois tenho janelas abertas e escadas de infinitos degraus. Onde guardei o menu? Talvez esteja preso aos dedos de minhas mãos. Onde deixei as minhas mãos, que não as vejo?! Os olhos sobre a mesa do jantar. Lacrimejantes! E o pulso batendo as horas cardíacas. Não queiram saber. Há fígado acebolado, tostado na chapa fumegante. Asseguro-lhes que no máximo me servi de um triste cálice de vinho tinto. Tão sofisticado e desnecessário. E meus ouvidos, entupidos e liquefeitos pelas línguas que lamberam o suspiro. Palavras e mais palavras como as de um velho aleijado e sem os membros. Sem a fala e o falo. Está nas mãos dos decepados. Tosses para mudar de assunto. Piedade ao velho ateu amaldiçoado. Esfrego as paredes com meus lábios, que desprendem no primeiro beijo de um leproso. Nascido de um ventre, como todos os outros homens e mulheres que se viram uma única vez às cinco horas da tarde de um sábado ensolarado. Retorno ao primeiro delírio, atravessando a galope e digo: NÃO! Essa é a resposta a todos os
talvez que gostei de imprimir, para dar verossimilhança ao tudo e ao nada. A minha alma ofertada como prato principal deste banquete de homens desdentados, míopes e quadrúpedes. Sem pudores. Moralismos meus e de minha vida galeada. Talvez, (rio), um gemido ante o pedaço que se rompe sem dor, no inicio do gozo das bacantes. Palavras e palavras. Nunca amei e jamais fui ao mundo das almas perdidas, atrás de um amor. Se bem que vocês me conhecem o bastante. Toda a minha história que dá sono. Um poeta morto num jardim de cravos amarelos. Tão belos e fétidos. Um segundo. Agora a desprender os dentes que mal nasceram das gengivas azuis. Pareço uma tarântula a desenhar a vida com suas patas. Ou a viúva negra, que devora os machos. Todas elas são negras, vestidas de luto e grandes girassóis. Milhares e milhares... de pedaços espalhados no assoalho. Vinagre e azeite. O corpo encomendado e encaixotado como quebra-cabeças de crianças, sem eletricidade a passar pelos vasos sangüíneos de sangue ralo. Os olhos sobre a mesa de jantar. Minha língua refogada. Quem degustará tamanhas iguarias? O grotesco é apenas uma leitura subliminar daqueles passos na calçada. Retorno, contorno. Enforco minhas dores, meus sabores virgens e viro a ampulheta. Areias libanesas. Todas as janelas escancaradas e os milhares de demônios e pedaços de carne antropomórficas se jogando, suicidas. Borbulho e engrosso o molho das células que nascem e morrem e nascem e morrem. Neurônios envelhecidos, superdiferenciados. Atrofiados. Chapas a tirar fotografias de chapas metálicas odontológicas. Quem degustará? O eco do sem som. Minha carcaça numa travessa de prata. Os olhos sobre a mesa de jantar.
(L. F. Calaça | 08/03/2004)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:56 AM Comments:
Sábado, Março 06, 2004
A LUCIDEZ PERIGOSA
(Clarice Lispector)
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
PRECISÃO
(Clarice Lispector)
O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Clarice Lispector
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:04 AM Comments:
Quarta-feira, Março 03, 2004
DALTONSÔNIA
Sempre acordo, e nunca adormeço. Se durmo, não sonho, pois sou pesado e duro como rocha. Atormentado! Acordo e vejo que as coisas, eles todos, imagens ou impressões, estão mudadas, indiferentes, incompatíveis. Ou eu, assim transformado, cego, de olhos acinzentados e imerso em daltonismo. Os campos, nunca vistos e tidos como verdejantes, são tão rubros e fluidos como mar ensangüentado. Uma linha a escorrer de uma atadura umedecida. Agarro meus cabelos, que caem aos bocados, e amarro-os em tufos desordenados, que colo ou costuro, com linha de metal inoxidável, ao coro cabeludo. Talvez o Sol esteja morto e enterrado no centro da Terra, tão distante que meus pés congelam e são amputados. Minhas lembranças inexistentes, amor de ventania, arrastando e perdendo, distante do olhar. Não vejo a vitrola ou a caixa de música quebrada. Uma bailarina sem braço e um cisne azul descabeçado. Tanta dor nos olhos, que vêem gritos na flor de plástico sobre a janela fechada. Livros de bolso, equilibrados na unha de plástico da libélula sem asas. Para que os pés, os olhos e as folhas de um velho diário inexistente? Reiniciar a caminhada, cortando os pés sobre os cacos das garrafas atiradas das janelas de carros embriagados. O sangue escorrendo sem sentido táctil-gustativo. Arranco meus pêlos do peito e vejo que ainda resta o dedo mindinho do pé esquerdo. Da mão que escreve, apenas o dedo médio que estendo para pedir carona. Todos me atropelam e deixam marcas de pneu. Fui pintor e pensador em outras vidas. Matei mulheres, para fazer do sangue tinta, e dos cabelos a pincelar natureza perfeita e inerte. Mudei a cor de minha alma, do azul noturno ao nanquim. Se fosse oriental, enfiaria espada, novamente destacando o ponto perdido placentário. A imperfeição é o verdadeiro mistério das coisas belas. Amo a fera que devora as crias, com medo que se tornem igual a ela. Mas sou assim... Tudo torto à minha volta, ou eu debruçado sobre as costas a fitar estas figuras deformadas, que deixo, comendo meus pedaços gangrenados. Não tenho asas e minhas palavras são ruínas milenares. Extasiado com a ilusão que o rio carrega ao arrastar minha pele descamada. Assim retorno ao silencio de meu quarto impregnado de sons metálicos e cores de cinema mudo. E as razoes tão metafísicas, converto em pó compacto que uso para esconder a idade morta. Trago calças tão grandes e compridas, que tropeço na linha verde-sangue, arrebentando o baú de fantasias. Ninguém... Ninguém!
(L. F. Calaça | 02/03/2004)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:59 AM Comments: